abriram o peito num momento qualquer
depois de inserirem um mármore
do tamanho de um punho
comprimindo o pulmão
fecharam e
mandaram para casa
até agora, os antibióticos
os anticoagulantes
os antidilacerantes
fizeram efeito algum
"eu sou aquele navio no mar, sem rumo e sem dono. tenho a miragem do porto pra reconfortar meu sono. e flutuar sobre as águas da maré do abandono"
9.5.08
Confissão datada
O infinito opaco que toma conta dessas entranhas há muito se disfarça no tempo como culpa e ódio. Culpa de um tempo branco que não veio, ódio do tempo e do espaço que formam grades de poeira, duras e intransponíveis.
Momentos de fumaça e sol. O espelho repete sempre a mesma frase. O tempo e o espaço se colam e deslizam um sobre o outro, quebrando e se refazendo de minuto em minuto. A ausência continua cheirando forte no quarto. Acima dela, paira o cheiro das flores em meu cabelo. O branco refaz, lentamente, aquele caminho no qual nos demoramos toda uma madrugada. A nota ainda reverbera de vez em quando em meus ouvidos. Não o som, mas o eco dele. É tudo. E nada.
Momentos de fumaça e sol. O espelho repete sempre a mesma frase. O tempo e o espaço se colam e deslizam um sobre o outro, quebrando e se refazendo de minuto em minuto. A ausência continua cheirando forte no quarto. Acima dela, paira o cheiro das flores em meu cabelo. O branco refaz, lentamente, aquele caminho no qual nos demoramos toda uma madrugada. A nota ainda reverbera de vez em quando em meus ouvidos. Não o som, mas o eco dele. É tudo. E nada.
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