30.7.08

I - Do susto (trecho)

Abri os olhos meio assustada. Não sei por que, todo o meu corpo parecia meio anestesiado, menos meus pés que formigavam sem parar. Comecei a caminhar para ver se passava e alguém me chamou:

- Júlia!

Olhei para trás, mas não vi ninguém. “Júlia!”, ouvi de novo.
Quando voltei a olhar para frente, ele estava parado ali. Era um juiz esquisito, meio gordela. Com um sorrisinho, maroto que me deu raiva, me perguntou: “E aí? O que vai ser?”. Dei de ombros. Fiquei com vontade de mandar ele ir se fuder e sair correndo. Mas continuei parada porque eu não sabia para onde ir. Ele continuou me encarando durantes vários minutos e eu fiz o mesmo, até que ele foi sumindo, sumindo, e em seu lugar apareceram várias cabeças gordelas e sorridentes. Fechei os olhos e comecei a tatear no escuro. Minhas mãos não conseguiam encostar em nada, mas meus pés estavam em cima de um assoalho de madeira fria. Senti como se eu estivesse caindo e abri os olhos para não sentir mais. Não adiantou nada. De olhos abertos eu vi que caía sem parar e todas aquelas cabeças olhavam para mim sem saber o que fazer. Ninguém tentou me segurar. Mas eu parei de cair sozinha.