epilépticas, as ondas se agitam, dobram-se sobre si num acesso de fúria. o mar se retorce num soluço convulsivo.
grãos de sal escorrem dos olhos, riscam o rosto, traçam na pele avermelhada desenhos brancos. ao som dos espasmos, o corpo move-se como um suspiro na direção da água fria e mergulha sem fazer barulho. ali, na garganta das ondas, relembra uma familiar e estranha sensação de alívio. feliz na imensidão que lhe cortava o peito, mas também pontilhava pequenas penas em suas costas.
não se espantou quando percebeu minúsculas escamas brilhantes entre as asas encharcadas e, sorrindo, percebeu que nunca mais voltaria a se parecer como antes. "para quê asas, quando se pode boiar?", pensou com satisfação.