14.8.07

Sobre a dançarina no escuro

O mel vermelho
que escorre
de minha boca,
pinga nos joelhos

Beijos em cacos
se a(poça)m do chão

Lentamente,
meu corpo rasga
o escuro do passado,
meus pêlos em alerta

Nua

A cintura ornamentada,
asiático leque,
sanfona uma melodia triste
enquanto danço e fujo
das lâminas e línguas

Pois se é a prata ou a chama
que me cortam
Minha pele, já em bronze,
nada sente

Na música estática
o único fio de dor
desenha-se perante o silêncio
cerrado entre meus dentes

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