10.5.13

cinzas

estava pinçada entre os dedos ágeis. 
prensada entre o algodão leve e a aspereza da novidade. 
pensada entre a mente sem reação e o coração num trote. 

a boca se arrastava como uma lagarta sobre a folhagem, deixando pequenos traços de brasa pela barriga, pelos braços, pelos flancos. 

icandescendo, o sorriso se iluminou voluptuoso e o corpo se consumiu como lenha. dava pra ouvir o mastigar do carvalho. dentes pelando, que trituravam a casca outrora humida. o calor drenava, como sopro a água que, medrosa, tentou refugiar-se nos meandros do tronco. era toda ela vapor, não havia por onde escapar.

queimou devagar até as cinzas.
macias, como talco.
negras, como a visão que se tem ao fechar os olhos e se entregar ao sono. 

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