"eu sou aquele navio no mar, sem rumo e sem dono. tenho a miragem do porto pra reconfortar meu sono. e flutuar sobre as águas da maré do abandono"
19.5.10
18.5.09
8.10.08
para os meus ouvidos
Olhando o negativo contra a luz:
"Engraçado que todo mundo te escolheu e escolheu essa foto."
O doce sabor da unanimidade...
"Engraçado que todo mundo te escolheu e escolheu essa foto."
O doce sabor da unanimidade...
3.10.08
Da série: por que não pensei nisso antes de você? II
"Ô Rita, tu sai da janela,
deixa esse moço passar,
quem não é rica e é bela,
não pode se descuidar.
Ô Rita, tu sai da janela,
que as moça desse lugar,
nem se demora donzela,
nem se destina a casar.
Nem se demora donzela,
nem se destina a casar."
Da série: por que não pensei nisso antes de você?
"Eu sou um verso de Carlos Pena Filho num frevo de Capiba ao som da orquestra armorial
Sou Capibaribe num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento do Una
Vindo no baque solto do Maracatu
Eu sou um alto de Ariano Suassuna
No meio da Feira de Ca-ru-aru"
Sou Capibaribe num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento do Una
Vindo no baque solto do Maracatu
Eu sou um alto de Ariano Suassuna
No meio da Feira de Ca-ru-aru"
II – Do caminho branco (trecho)
Com ele, eu dançaria num tom meio bobo, quase infantil. Não muito abraçada porque as lições da quarta série me ensinaram bem: se você quiser ser respeitada, por favor, não chegue muito perto deles. Mantenha a distância digna de uns três palmos. Mantive a distância. Eu que não sou boba sei que quando a cerca fica baixa é perigoso alguém pular pra dentro. Até aí, tudo bem. Mas fica foda quando o pulo pra fora leva junto o arame farpado que fica no alto da cerca. Aí, é de um rasgo só. De ponta a ponta. Aí que dói. E quando eu vi, já estava dançando sozinha de novo.
E não. Não vou ficar passando a dança de homem em homem como se eles definissem quem eu sou. Às vezes tenho vontade de dançar sozinha só para quebrar o padrão. Só para me nomear, por fim, a melhor pé de valsa. Só porque eu não queria dar o título para mais ninguém. Assim que pensei nele fiquei instantaneamente com ciúme e decidi que ele só poderia ser meu.
Cansei de dançar.
Fui andando lentamente sentindo a neve fofa e pisei, sem querer, numa outra coisa fofa e branca. Olhei para baixo e vi um coelhinho assustado. Pensei que essa coisa de “Júlia no País das Maravilhas” já estava ficando literal de mais. Mas já que eu estava ali mesmo, fui seguindo o papel. Peguei o coelhinho no colo e ele sujou meu vestido vermelho todo com as patinhas nervosas. Fiquei com vontade de mandar o coelho pra puta que pariu ou entregar ele pra guilhotina da Rainha de Copas. Aí eu ia gritar bem alto Cortem a cabeça!!!. Comecei a rir e o coelho riu junto. Achei engraçadinho. Ele pulou do meu colo e começou a andar rápido em pulinhos, fui atrás – correndo, claro, não pulando! Parei quando chegamos numa porta super alta. Tão, mas tão alta, que não acabava nunca. Olhei um tempo, meio sem jeito, muito intimidada e resolvi abrir de uma vez só. Agradeci a mim mesma por ter chegado até ali e dei um sorrisinho pro coelho como quem meio que agradece também. Fechei os olhos, coloquei a mão na maçaneta e abri a porta.
E não. Não vou ficar passando a dança de homem em homem como se eles definissem quem eu sou. Às vezes tenho vontade de dançar sozinha só para quebrar o padrão. Só para me nomear, por fim, a melhor pé de valsa. Só porque eu não queria dar o título para mais ninguém. Assim que pensei nele fiquei instantaneamente com ciúme e decidi que ele só poderia ser meu.
Cansei de dançar.
Fui andando lentamente sentindo a neve fofa e pisei, sem querer, numa outra coisa fofa e branca. Olhei para baixo e vi um coelhinho assustado. Pensei que essa coisa de “Júlia no País das Maravilhas” já estava ficando literal de mais. Mas já que eu estava ali mesmo, fui seguindo o papel. Peguei o coelhinho no colo e ele sujou meu vestido vermelho todo com as patinhas nervosas. Fiquei com vontade de mandar o coelho pra puta que pariu ou entregar ele pra guilhotina da Rainha de Copas. Aí eu ia gritar bem alto Cortem a cabeça!!!. Comecei a rir e o coelho riu junto. Achei engraçadinho. Ele pulou do meu colo e começou a andar rápido em pulinhos, fui atrás – correndo, claro, não pulando! Parei quando chegamos numa porta super alta. Tão, mas tão alta, que não acabava nunca. Olhei um tempo, meio sem jeito, muito intimidada e resolvi abrir de uma vez só. Agradeci a mim mesma por ter chegado até ali e dei um sorrisinho pro coelho como quem meio que agradece também. Fechei os olhos, coloquei a mão na maçaneta e abri a porta.
2.10.08
Lição
Numa cidade grande como essa, com tantas luzes, com tantos faróis, com tanto acidente,
as pessoas quebram os corações umas das outras.
E cada uma conserta o seu como pode.
as pessoas quebram os corações umas das outras.
E cada uma conserta o seu como pode.
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